Terça, 12 Dezembro 2017

PALAVRA DO ARCEBISPO

 Carta de Dom Darci por Ocasião do Ano Jubilar

Gente boa, minha saudação!

 

Com grande alegria, anuncio a todos o Jubileu da Igreja Particular de Diamantina, o centenário da Arquidiocese e o sesquicentenário do Seminário Sagrado Coração de Jesus. É imperioso celebrar! Convocamos os cristãos católicos e todas as pessoas de boa vontade para esse evento de fé, história e missão.

 

A construção desta belíssima história teve como objetivo a consolidação da fé cristã em todo o norte do grande Estado de Minas Gerais. Viu-se a necessidade urgente de acudir o povo sofrido do Vale e do Sertão e propiciar-lhe vida digna. O programa pastoral da nova igreja diocesana sustentou-se em três pilares: Catequese Cristã para a construção de um povo na Fé, Promoção Humana com base numa educação cidadã libertadora e Assistência Social aos mais necessitados. São inspiradoras, até mesmo para o tempo presente, as palavras do primeiro bispo de Diamantina, Dom João Antônio dos Santos: “O Evangelho é que reforça os costumes, e é o princípio de uma sólida e verdadeira educação... É a origem das virtudes!” A partir do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo a Salvação integral!

 

Quando a diocese de Diamantina foi criada, em 1854, vivia-se o regime do “padroado”. Ou seja, o Governo Imperial do Brasil exercia o controle sobre a vida pastoral e administrativa da Igreja, inclusive na nomeação dos bispos e na manutenção do clero e do culto. Na época, a Igreja almejava a independência do Império, para livrar-se das constantes intromissões do poder civil. A Bula Papal de criação da nova diocese deixa transparecer essa intenção, quando o Papa Pio IX manifesta sua “firme e especial solicitude” – Gravissimum Solliciitudinis – para formar um novo território, separado das Igrejas de Mariana-MG e de Salvador-BA, e nele constituir um Pastor para o seu povo. Já na nomeação do Ordinário percebemos que novos ventos sopravam na relação entre a Igreja e o Estado, pois o sacerdote designado pelo decreto Imperial, Padre Marcos Cardoso de Paiva, não pode assumir. Decorridos dez anos da criação da Diocese é que, efetivamente, tomou posse aquele que veio a ser o seu primeiro Bispo, cônego João Antônio dos Santos, natural de São Gonçalo do Rio Preto-MG, então com 45 anos de idade. Somente em 28 de junho de 1917, é que a sede episcopal de Diamantina-MG foi elevada à dignidade de Arquidiocese, sendo seu primeiro Arcebispo Dom Joaquim Silvério de Souza.

 

Seguiu-se a história numa plêiade de grandes homens, pastores segundo o coração de Jesus, que governaram com sabedoria, determinação, desprendimento e santidade esta porção do Povo de Deus que lhes fora confiada. Na sequência: dom João Antônio dos Santos (1864-1905), Dom Joaquim Silvério de Souza (1905-1933), Dom Serafim Gomes Jardim (1934-1953), Dom José Newton de Almeida Batista (1954-1960), Dom Geraldo de Proença Sigaud (1960-1980), Dom Geraldo Majela Reis (1981-1997), Dom Paulo Lopes de Faria (1997-2007), Dom João Bosco Óliver de Faria (2007-2016). Eu, Dom Darci José Nicioli, CSsR (2016...), privilegiado e agraciado por tão insignes predecessores.

 

A boa formação do Clero foi política eclesial para todos os bispos, para tanto a fundação do Seminário Sagrado Coração de Jesus já em 1867, três anos apenas da posse de Dom João dos Santos. Unanimemente, investiram na formação intelectual, espiritual e moral dos sacerdotes. Os padres também foram orientados a deixar funções e cargos de governo civil, muito comum naquele tempo entre os sacerdotes, para dedicarem-se exclusivamente aos trabalhos da evangelização e da assistência social.

 

À índole evangelizadora na formação dos ministros ordenados somou-se a acolhida de inúmeras ordens religiosas, com destaque para os Carmelitas, os Franciscanos, os Lazaristas e, mais tarde, os Redentoristas e os Estigmatinos. Também as irmãs Vicentinas, as Clarissas Franciscanas, as Irmãs do Sagrado Coração de Maria, as Filhas de Maria Imaculada, as Irmãs de Jesus na Eucaristia e, mais recentemente, as Irmãs Beneditinas. Atualmente, ainda contamos com o Instituto Secular das Cooperadoras da Família e com algumas Comunidades católicas de fiéis: Palavra Viva, Casa de Maria, Mãe da Esperança, Maranatá, Kairós e Divina Misericórdia. Conjuntamente com os leigos engajados nas pastorais e movimentos, formamos um grande e qualificado “corpo evangelizador”.

 

Vivemos numa época de grandes transformações! Não foram menores e nem menos intensos os desafios que os agentes evangelizadores enfrentaram neste tempo mais que centenário da Igreja de Diamantina. Somos herdeiros dos grandes feitos dos nossos antepassados e devemos também deixar para as gerações futuras um expressivo legado, a partir do que cremos, rezamos e testemunhamos.

 

Renovemos nossas forças neste Jubileu, reafirmemos nossa fidelidade e sigamos adiante confiantes n’Aquele que nos chamou e enviou: “Sempre que procuramos voltar à fonte e recuperar o frescor original do Evangelho, despontam novas estradas, métodos criativos, outras formas de expressão, sinais mais eloquentes, palavras cheias de renovado significado para o mundo atual. Na realidade, toda ação evangelizadora autêntica é sempre “nova” (EG 11)”.

 

Preparamos extensa e intensa programação jubilar, envolvendo todas as regiões da nossa Arquidiocese e, também, as Igrejas sufragâneas que fazem parte da circunscrição eclesiástica do centro-norte de Minas Gerais, as dioceses de Almenara, Araçuaí, Guanhães e Teófilo Otoni.

 

Você é a Igreja de Diamantina: A festa é sua, a festa é nossa!

Participe! Venha celebra com grande júbilo!

Meu agradecimento e a minha Bênção Paternal!

 

+ Darci José Nicioli, CSsR